Miguel é um nome atribuído na Bíblia a um anjo ou arcanjo, numa posição de líder de exércitos celestiais. É um dos três anjos mencionados por nome na Bíblia, juntamente com Rafael no livro de Tobias e Gabriel no evangelho de S.Lucas, e é o único chamado de arcanjo.
O significado é motivo de debate. A maioria das denominações cristãs entendem que o nome deverá ser traduzido em forma inquisitiva, tal como "Quem é como Deus?"[1] ou "Quem é semelhante a Deus?"[2] . Outros defendem que seja uma afirmação: "Aquele que é como Deus", argumentando que o sufixo "el", que significa "Deus", é usado em outros nomes bíblicos em forma de afirmação, tal como em Daniel ("Meu juiz é Deus"), Emanuel ("Connosco está Deus"), Ezequiel ("A força de Deus"), Samuel ("Nome de Deus") ou Gamaliel ("Recompensa de Deus"). Esta última interpretação é, segundo distintos peritos, tal como se refere mais acima, posta em causa pela própria Bíblia, quando a mesma nega que haja quem seja como Deus (cf., por exemplo, Salmo 35:10; 89:8), donde, pela própria configuração do nome "Miguel", o mais certo é que o mesmo deva ser traduzido como sendo uma questão.
O nome Miguel é escassamente referido na Bíblia, surgindo apenas nos versículos baixo, segundo a tradução A Bíblia de Jerusalém:
"O Príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias, mas Miguel, um dos primeiros príncipes, veio em meu auxílio"
"Ninguém me presta auxílio para estas coisas senão Miguel, vosso Príncipe."
"Nesse tempo levantar-se-á Miguel, o grande Príncipe, que se conserva junto dos filhos do teu povo. Será um tempo de tal angústia qual jamais terá havido até aquele tempo, desde que as nações existem. Mas nesse tempo o teu povo escapará, isto é, todos os que se encontrarem inscritos no Livro."
"E, no entanto, o arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo, discutindo a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a pronunciar uma sentença injuriosa contra ele, mas limitou-se a dizer: O Senhor te repreenda!"
"Houve então uma batalha no céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou, juntamente com seus Anjos, mas foi derrotado, e não se encontrou mais um lugar para eles no céu."
No livro de Enoque Miguel é designado como o príncipe de Israel. No livro dos Jubileus, ele é retratado como o anjo que instruiu Moisés na Torá. Nos Manuscritos do Mar Morto é retratado lutando contra Beliel.
A vitória de São Miguel sobre o demónio, escultura por Sir Jacob Epstein perto da entrada da Catedral de Coventry, no Reino Unido.
Miguel, o Arcanjo, é considerado o chefe dos exércitos celestiais e o padroeiro da Igreja Católica. É o anjo do arrependimento e da justiça. É comemorado pela Igreja Católica, sob o nome de São Miguel Arcanjo em 29 de setembro.
O Catolicismo, nas suas vertentes "Ortodoxa" e "Romana", mantém uma considerável devoção por São Miguel Arcanjo, especialmente demonstrada nas situações em que são efectuados pedidos de livramento dos seus fiéis contra ciladas do demônio e dos espíritos maléficos. Acredita ainda que, durante as orações, e quando o nome do arcanjo é invocado, este defenderá os crentes, com o grande poder que Deus lhe concedeu, protegendo-os contra os perigos, as forças do mal e os inimigos.
A escassa referência das Escrituras à pessoa de Miguel é considerado por alguns como uma demonstração de discrição ou importância relativa que envolve a sua figura. Nas menções efectuadas no livro de Daniel, os teólogos dividem-se acerca da interpretação dessas passagens. Alguns crêem ver neste Miguel aquele que mais tarde Judas designa por "Arcanjo". A maioria, porém, acredita que nestes versículos, Miguel é apenas uma figura que, de acordo com a crítica bíblica, é proveniente da mitologia Persa com a qual o povo Hebreu contactou aquando do seu Exílio na Babilónia e não identificável com o Anjo com o mesmo nome.
Na referência de Judas, alguns entendem que não é atribuída a Miguel a faculdade de juiz escatológico, reservada a Deus e ao seu Messias, na medida em que ele entrega o Diabo ao juízo de Deus. Nem para os católicos nem para os protestantes é aceite a interpretação, feita por algumas denominações religiosas que se afirmam cristãs, de que neste texto se trataria do Filho de Deus antes de lhe ser dada autoridade régia visto que, segundo algumas teses destas denominações, esta passagem relembraria um acontecimento muito anterior à época em que Jesus veio à Terra e foi posteriormente ressuscitado. Na realidade católicos e protestantes, a respeito desta última hipótese, contrapõem "que este combate descrito ("related") neste livro, que de acordo com a sintática rigorosa do texto (nomeadamente o uso da construção ?te ("ote") mais dativo seguido de pe?? ("peri") mais genitivo neutro) não é situável num tempo passado e que, assim, ainda não ocorreu em seu sentido pleno. [...] O resgate ("recovery") do corpo "soma", e não do cadáver, de Moisés referido no texto não é senão aquele que ocorrerá no futuro escatológico" (Geerhardus Vos, "Biblical Theology", p. 121-123). De igual modo, acrescenta este autor, "a referência a verbos em tempos passados - "d?a?????µe???" ("diakrinomenos": "contendia"), "d?e?e?et?" ("dielegeto": "disputava") e "??? eto?µ?se? epe?e??e??" ("ouk etolmesen epevegkein": "não ousou pronunciar") - provém do facto de este versículo ser a citação de um texto apócrifo de natureza apocaliptico-visonária onde o autor (como todos os autores deste género literário), imaginando-se como tendo sido transportado até ao fim dos tempos, olha para trás ("backwards") para acontecimentos supra-temporais (isto é, posteriores ao fim dos tempos) "anteriores" à consumação final" (Geerhardus Vos, "Biblical Theology", p. 122).
O arcanjo Miguel representado numa moeda bizantina.
Ao contrário das posições acima referidas, algumas denominações religiosas, que também se intitulam cristãs, identificam Miguel como sendo o próprio Jesus Cristo ou como uma representação dele. O raciocínio que os leva a crer que Miguel é apenas um outro nome para Jesus Cristo, baseia-se nas seguintes premissas:
Na carta de Judas, no versículo 9, Miguel é designado como "o arcanjo" termo que significa "anjo principal". Esta é a única ocorrência bíblica de alguém ser chamado de "o arcanjo" o que, segundo alguns, sugere que existe apenas um anjo assim. De facto, a palavra "arcanjo" ocorre na Bíblia apenas no singular, nunca no plural. Além disto, o cargo de arcanjo se relaciona com Jesus. Sobre o ressuscitado Senhor Jesus Cristo, 1 Tessalonicenses 4:16 diz:
"Porque o mesmo Senhor descerá do céu, com alarido e com voz de arcanjo." (Tradução J. F. Almeida)
A voz de Jesus é descrita aqui como sendo a voz de arcanjo. Portanto, para alguns, esse texto indica que o próprio Jesus é o arcanjo Miguel, pois, na sua interpretação, aquele a quem foi designado o dever de ressuscitar os fiéis mortos, não desceria do céu com uma voz que expressasse uma autoridade menor do que a que realmente teria. Ou seja, sendo Jesus o próprio Deus e, portanto, superior a um arcanjo, esta declaração bíblica o compararia com uma criatura inferior. Assim, argumentam, o versículo apresenta a Jesus como sendo realmente o arcanjo, ou anjo principal, com autoridade acima de todas as criaturas.
Segundo os textos bíblicos, Miguel e seus anjos batalharam contra o dragão e seus anjos. (Revelação ou Apocalipse 12:7), de modo que Miguel é descrito ali como o líder de um exército de anjos fiéis. O mesmo livro também se refere a Jesus como líder de um exército de anjos fiéis, no capítulo 19, versículos 14 a 16, sendo que o apóstolo Paulo menciona especificamente o "Senhor Jesus" e os "seus anjos poderosos" (2 Tessalonicenses 1:7), pelo que é possível concluir que, na Bíblia, existem referências tanto de Miguel e "seus anjos" como de Jesus e "seus anjos". (Mateus 13:41; 16:27; 24:31; 1 Pedro 3:22)
No entanto, e uma vez que nos textos bíblicos em nenhuma parte é indicada a existência de dois exércitos de anjos fiéis no céu, um comandado por Miguel e outro por Jesus, existem observadores que sugerem a conclusão de que Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo na sua posição celestial. Esta conclusão, não obstante, é tida como sendo muito débil por um não menor número de peritos que afirmam que em nenhuma parte, nos textos bíblicos, se nega a referida existência de dois exercitos - Christoph Blumhardt - "Vom Reich Gottes. Aus Predigten und Andachten", p. 137 - ou que sejam um mesmo exercito «com dois chefes, um dos quais - Miguel - subordinado ao outro - Jesus -, tal como dá a entender o facto de ter sido Deus e não Miguel a condenar Satanás» - Paul Kleinert - "Die Propheten Israels in sozialer Bezichung", p. 78 -.
Com base nestes argumentos algumas denominações cristãs desenvolveram as seguintes doutrinas:
Imagem de Gustave Doré para a obra "O Paraíso Perdido" de John Milton representando Jesus Cristo a comandar as legiões celestes.
As igrejas cristãs trinitárias, consideram que, pelo fato de Miguel ser chamado de arcanjo, identificá-lo como o Filho de Deus rebaixa, de algum modo, a dignidade ou o posto de Jesus. Assim, rejeitando que ambos possam ser a mesma pessoa, apresentam como argumentos as seguintes premissas:
Histórica e cronologicamente falando, as teses interpretativas dos textos bíblicos mencionadas pelos que defendem que Miguel é um outro nome de Jesus, remontam ao Século IV quando foram propostas e defendidas, quase com as mesmas argumentações, na exposição cristológica de alguns discípulos e adeptos do presbítero alexandrino Ário.
Alguns mencionam a carta de Narciso de Neroníades, discípulo de Ário, ao comentar a maior obra do seu mestre, "Thalia", a Eusébio de Nicomédia, bispo da capital imperial e amigo de Constantino I. Segundo eles, essas linhas argumentativas são apresentadas para conciliarem as suas peculiares leituras bíblicas com as filosofias helenistas presentes no horizonte cultural do seu tempo [4] A mesma tese surge numa outra carta, agora de Eusébio de Nicomédia a Paulino de Tiro [5]
Na ocasião, as contra-argumentações que foram apresentadas para desmontar, e demonstrar a insustentabilidade, das teses dos filo-arianos, embora possam parecer aos olhos de hoje muito simples, não destoam da pouca profundidade crítica e teológica daquelas que lhes deram origem: além de uma clara rejeição de toda a angeolatria (Colossenses 2:18; Hebreus 1:14; 2:5; Apocalipse 19:10) como contrária a toda a revelação bíblica, estrutura-se, a referida crítica, em redor da contextualização da citação de Judas 1:9, a qual, afirmavam, é uma citação do livro apócrifo, não inspirado nem canónico, da "Assunção de Moisés" que se refereria a três (eventualmente quatro: Gabriel, Miguel, Rafael e Satã) arcanjos, deduzindo-se então que Miguel não seria o único arcanjo, pelo que a expressão "? a??a??e???", num argumento corroborado pela construção sintáxica do texto original do citado livro apócrifo, nunca poderia ser um oposto a "???a??". Referem-se, ainda, ao facto de não obstante somente no livro de Naum se dizer que é um livro de dado profeta ("sëper Házôn naHûm") não se poder, daí, "concluir que os restantes textos proféticos não sejam também livros proféticos" (página 284).
A respeito da tentativa de identificar Jesus com Miguel, por referência às citações comuns a ambos comandarem legiões celestes (Mateus 13:41; 16:27; 24:31; 1 Pedro 3:22), citam uma carta do próprio Ário que fala dos "presbíteros de Prólico (seu superior monástico)" e dos "presbíteros de Alexandre (seu bispo)" para mostrarem que não é pelo facto de nas duas únicas referências a "presbíteros de" se referirem a Prólico e a Alexandre que se pode identificar Alexandre com Prólico, pois "os presbíteros daquele são mais do que os deste, sem que passem a constituir dois corpos presbiterais, antes estando o de Prolico inserido no de Alexandre" (página 323). Analogamente, dizem os detractores clássicos da antiguidade acerca da tese da identificação de Miguel com Jesus, as "legiões de Cristo" são maiores do que as de Miguel, pois somente, ainda segundo o livro do Apocalipse e a carta de Judas, Miguel não assumiu o papel de juiz escatológico, deixando-o para Jesus Cristo, pois "apesar de votar Satã ao degredo, não o julga nem acusa nem condena" (página 316).
Por sinal, nesta carta, não é citada a passagem de Tessalonicenses, mas na contra-argumentação geral, aduz-se que "e?" mais dativo não é neste contexto construção modal ("com voz de..."), mas temporal ("à - quando se fizer ouvir a - voz de...") tal como em 1 Tessalonicenses 5:2.
Estas perspectivas dos críticos de Narciso e de Eusébio de Nicomédia são retomadas num dos maiores expoentes da literatura inglesa, O Paraíso Perdido de John Milton, segundo o qual, é somente após a intervenção de Cristo com as suas legiões de anjos que o combate iniciado pelo arcanjo Miguel se decide para o lado de Deus (canto VI).
Algumas denominações cristãs, nomeadamente as Testemunhas de Jeová, apresentam várias razões a favor da doutrina que identifica o Arcanjo Miguel como sendo o próprio Jesus Cristo. Alistam-se de seguida esses argumentos, apesar de nem todas essas denominações estarem de acordo em todos os pontos apresentados:
Desde a publicação, em 1991, da quase totalidade dos textos descobertos no deserto da Judeia, comummente conhecidos como os manuscritos do Mar Morto, que o estudo acerca da angeologia judaica sectária e extra-bíblica teve um grande desenvolvimento.
Nestes textos, numa perspectiva que viria a ser recuperada pelos movimentos gnósticos do Século I, Miguel é apresentado como a figura celestial de Melquisedeque exaltado, elevado aos céus. É similarmente referido como o "príncipe da luz", conforme 11Q13, que dará combate ao "príncipe das trevas", Satã, Belial ou Melkireshah (o príncipe das profundezas da Terra). Este confronto dar-se-á aquando da grande batalha celeste que antecederá o fim dos tempos e a nova vinda do fundador da comunidade essênia, o "Mestre da Justiça", como Messias escatológico.
Neste contexto, e numa descrição profundamente ambivalente, em 4Q529 e 6Q23 o triunfo definitivo da paz não lhe é atribuído, conforme alguns depreendem de Judas 1:9, acima transcrito, onde Miguel recusa a função de juiz escatológico, mas apenas é o seu arqui-estratega. Miguel recusa inclusive o título de "Senhor" e de "Salvador", ao mesmo tempo que, segundo 4Q246, aguarda que, tal como o seu modelo histórico apresentado neste texto, Antíoco Epifânio, se possa autoproclamar "um deus" e ser adorado como deus, tal como aquele em Daniel 11:36-37.
Para outros, segundo a interpretação que fazem de alguns dos manuscritos do Mar Morto, Miguel é mesmo apresentado como o grande usurpador do senhorio de Deus numa opinião que, com alguns matizes, é idêntica à de movimentos para-cristãos nascidos no Século XIX. Segundo aquela referida interpretação, Miguel louvaria o malquisto rei Sedecias, referido em 2 Reis 24:19, prometendo-lhe, inclusive, uma aliança para que este leve a bom termo os seus planos malévolos.
Em síntese, a angeologia apresentada pela interpretação destes textos não é homogénea, mas aduz um grande leque de orientações desde as menos negativas como as que consideram Miguel como Melquisedeque exaltado, mas com desejos de ser adorado, até às profundamente negativas, as que o concebem como próximo do malévolo rei Sedecias. Nos primeiros séculos da nossa era, esta literatura teve muita influência em círculos gnósticos vindos do helenismo platonizado na medida em que a sua falta de clareza e a ambiguidade esotérica, quase a roçar o paganismo (de facto, tais perspectivas jamais poderiam ser tidas como inspiradas, quer pelo judaísmo, quer pelo cristianismo), serviu plenamente os seus intuitos de estabelecerem pontes de contacto com o crescente influxo cultural do cristianismo e, assim, não perderem a sua importância religiosa.
De acordo com alguma angeologia inter-testamentária heterodoxa ("Revelação de Satanás" e "Ascenção de Melquisedec"), retomada posteriormente por cristão gnósticos - que não admitiam que Deus pudesse na verdade ter tocado, andado e vivido num mundo que consideravam perverso e diabólico - e cultos pagãos mistéricos da bacia do Mediterrâneo Oriental - que se serviram desta figura que tão poucas vezes aparece nomeada na Bíblia para estabelecerem pontes com cristãos menos formados -, o Anjo Miguel - "malach Micha'el" - ou o Justo Miguel - "sedek Micha'el" -; não era senão Melquisedeque "Mal'ch sedek" exaltado, glorificado, não sendo, pois, identificável como uma criatura primogénita.
Para estes movimentos que orbitavam o cristianismo primitivo, profundamente influenciados pela corrente filosófica do platonismo - que concebia a sua cosmologia como uma contínua estratificação de seres intermédios entre um demiurgo impotente e indiferente para com a humanidade e a sua criação - "sedek Micha'el" seria a figura do justo por excelência, aquele que, segundo Platão, morreria crucificado.
Misturando esta convicção filosófica com correntes cristãs heterodoxas, passaram a acreditar que, quem morrera na cruz, sob Pôncio Pilatos, afinal não fora senão Melquisedeque sob a aparência de Jesus de Nazaré que, na verdade, segundo estes, jamais existira. Para estes "sedek Micha'el", enquanto andou sobre a Terra debaixo da aparência de Jesus de Nazaré, jamais fora verdadeiramente homem, rejeitando terminantemente que ele tivesse tido a necessidade de comer, beber, dormir, expressar emoções ou realizar necessidades fisiológias pois, se assim não fosse, não teria podido ser um anjo, isto é, um ser puramente espiritual.
Estas convicções, imensamente influenciadas pelas angeologias pagãs e esotéricas que pululavam no Mediterrâneo Oriental, são hoje totalmente tidas como miticas e desprovidas de qualquer valor histórico, embora continuem a formar o pano de fundo para muitas correntes religiosas que tiveram o seu impulso inicial em William Miller. Independentemente da história que rodeia esta figura - e de toda a polémica que surgiu em redor do grande desapontamento acerca do dia que o mesmo previu ser o da vinda definitiva de Jesus/Melquisedeque, com a posterior criação de inumeras teorias da conspiração que geraram uma história, uma politica e uma sociologia paralela e alternativa - a verdade é que a sua impar capacidade de reler estas tradições para o seu tempo, marcaram profundamente milhares de pessoas que, descontente com a realidade e incapazes de viverem nela, nas suas perspectivas miticas e neo-pagãs - num verdadeiro "proto-New Age", ou "New Age avant la lettre" -, misturadas com um cristianismo débil que conheceiam e apreenderam, encontraram uma nova "fuga mundi" escapista.